terça-feira, 30 de novembro de 2010

Estrelas 18 e 19 - Artocarpus incisa L. e Pitcairnia multiflora L. B. Smith



As estrelas desta vez são duas e vão juntas por “trabalharem” no mesmo filme, um que já conta com cinco versões: O Grande Motim, baseado em história verídica.
Artocarpus incisa e Pitcairnia multiflora relacionam-se de maneira tênue, é verdade, mas o fato de ser tênue, ao invés de diminuir o interesse, no meu wishful thinking, cria-o. A primeira foi o motivo da viagem tumultuada e a segunda pertence a um gênero que homenageia um parente de quem localizou a ilha onde foram se refugiar alguns dos participantes dessa aventura.
Tênue demais? Concordo, mas quando a gente vê as plantas, sabendo da história, faz algum sentido.
Corria o ano de 1787, quando partiu de Londres o navio armado Bounty, comandado pelo perseverante tenente William Bligh, com a ordem de ir até o Taiti buscar mudas da árvore da fruta-pão, por suas econômicas e alimentícias virtudes, e levá-las à Jamaica. Depois de tentar, durante um mês de ventos desfavoráveis, chegar ao Pacífico pela passagem de Drake (entre a Terra do Fogo e o Pólo Sul) teve que desistir, temporariamente, desse itinerário e atingiu seu destino mudando o curso em 180°, cruzando só um oceano a mais, passando ao sul do Cabo da Boa Esperança, Índia e Tasmânia.
No Taiti ficou cinco meses preparando as mudas e, quando finalmente partiu lotado, rumo SE, obstinado em igualar-se à Drake, foi surpreendido por parte da tripulação que jogou a carga ao mar e o abandonou para morrer, sem terra à vista, na mais vasta das imensidões líqüidas do planeta, desprovido de mapas, acompanhado de 16 oficiais e marujos leais, num barco de 7m de comprimento. Mas Bligh não se deu por vencido e empreendeu a memorável travessia de 6.700km até Timor, onde encontrou ajuda para regressar à Inglaterra.
Quanto aos amotinados, voltaram ao Taiti, recrutaram as lindas nativas e prosseguiram na fuga até uma ilha ainda não mapeada que acertadamente julgaram improvável de ser achada durante bom tempo. Tanto que há descendentes desses rebeldes lá até hoje. Ela recebeu o nome de Pitcairn, um jovem que foi o primeiro a avistá-la 20 anos antes. Sua densidade populacional é de dez habitantes por kilômetro quadrado e lá vivem 47 pessoas. Por ironia do destino, trata-se do menor grupamento humano a ter constituição própria.
O gênero Pitcairnia foi batizado em homenagem a um parente-mais-velho-do-descobridor-da-ilha-refúgio-dos-amotinados-do-barco-que-carregava-fruta-pão. Ufa! Quando verter para o alemão, vou criar uma única e longa palavra.
No Sítio temos Artocarpus incisa (Artocarpus literalmente traduzido do grego, pão-fruto) – árvore linda! – chamada taro em taitiano, e algumas espécies de Pitcairnia. Esta nem parece uma bromélia, mas um capim de flores vermelhas. – Epa! Capim com flor vermelha? E isso existe? – Capim não investe recursos biológicos para destacar suas flores pela cor (ou pelo perfume), já que sua polinização é feita por um agente cego (e anósmico ou, no mínimo, resfriado, isto é, sem olfato) – o vento. Assim entende-se mais facilmente a classificação desta espécie incomum de bromélia. Pertence a um gênero que tem mais ou menos 300 espécies, e a que Burle Marx mais utilizou em suas experiências paisagísticas é a que forma esta nuvem sanguínea sobre a folhagem.

4 comentários:

Cinthia disse...

Já era lindo sem a história do Bounty, mas com ela fica mais lindo ainda. Um dia eu consigo chegar ao sítio!
bj.
Cinthia

Anônimo disse...

Lindo - além das 3ª feiras, qual o melhor dia para eu ir pessoalmente ver estas maravilhas. REgina Brandao

Ana Maria Salles disse...

Estive no sítio com a minha família e fiquei impressionada como aquele lugar é lindo! Parabéns! A guia Lívia foi muito atenciosa e simpática. Vou voltar mais vezes.

J.Felipe disse...

O sítio tem um visual e energia ótimos e a guia Lívia torna tudo mais lindo ainda com seu jeito espontâneo e aquele sorriso. Aumento pra ela. ;7