sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Estrela 16 - Solanum cernuum Vell. (ou Solanum castaneum Carvalho)


As bonitas que me desculpem, mas, para ser estrela, beleza não é fundamental.
Apelidada Árvore do Rato Morto, se existe uma flor feia, é esta. Tanto que, certa feita, depois de apresentar a um grupo de amigos a arvoreta de 3,5m de altura – na ocasião vergada ao peso de inúmeras flores minúsculas, dotadas de longos, desproporcionais, pardacentos e hirsutos pecíolos – senti-me quase culpado diante do desencanto geral. Aí, na tentativa de revigorar os ânimos abatidos pela desalentadora visão, não resisti e chutei: – Mas é medicinaaaal!
O efeito foi incrível, todos se mostraram alegremente dispostos a crer nos poderes curativos, porém tive que confessar: – É brincadeira, foi só para animar.
Anos depois, o botânico Harri Lorenzi me revelou que o nome popular do infeliz vegetal era Panacéia, ou seja, remédio para toda enfermidade. – Então eu estava certo! Foi meu primeiro pensamento, mas em seguida, fulminando esta ilusão, me baixou uma grave suspeita: ela não era medicinal coisíssima nenhuma. A crença popular, mais do que ingênua credulidade, mais do que outro me-engana-que-eu-gosto, era uma tentativa de fazer justiça, um ato de caridade. A minha foi uma reação comum, pelo visto o povo também lhe atribui alguma virtude para contrabalançar a escandalosa carência de graça.
Jamais, que eu saiba, foi (ou será) usada em paisagismo, mas em compensação é bem provável que um chazinho feito com ela não mate instantaneamente.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Estrela 15 - Dieffenbachia sp. (Costa Rica)


Logo ao adentrar o Sombral Graziela Barroso, os visitantes geralmente se espantam com o tamanho descomunal de umas plantas, trazidas por Burle Marx das selvas da Costa Rica, que lembram muito as popularmente chamadas “comigo-ninguém-pode”. Mas não sendo da espécie picta, aquela comum e que sabemos ser venenosa, pertencem ao mesmo gênero Dieffenbachia, ao qual o povão atribui poderes de afastar “mau-olhado”. Por isso é que as nossas agigantadas Dieffenbachiae aqui estão apelidadas de “comigo-ninguém-mas-ninguém-mesmo-pode”, fazendo, cum grano salis, corresponder tamanhos e poderes, o que, óbvio, não é sempre verdade.
Sendo um de nossos afazeres mais importantes o back up do acervo vegetal, há algum tempo fizemos outro grupo, com mudas dessa mesma planta, em outro lugar do SRBM, onde vieram a florir agora (fevereiro de 2009).
O gênero Dieffenbachia tem cerca de 140 espécies, 13 da Costa Rica. Se alguém conseguir identificar esta espécie, por favor me avise.