terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Estrela 17 - Warscewiczia coccinea (Vahl) Klotzsch

Foto detalhe de Harri Lorenzi

Originaria da Amazonia, América Central e Caribe, a estrela desta vez é também planta nacional de Trinidad-Tobago. Seu nome científico, de tão complicado, encontra-se por aí escrito de várias formas, mas acreditamos que a correta é esta do título.

Pertence à família Rubiaceae, a mesma do café, da Mussaenda e da Ixora.

Os adjetivos associados a esta planta vão de lindíssima a tiradora-de-fôlego (breathtaking), passando por espantosa (awesome). O nome popular é rabo-de-arara e, em inglês, também é chamada “wild poinsettia” (como poinsettia é o nosso bico-de-papagaio e wild é selvagem, fica meio estranho traduzir por bico-de-papagaio-selvagem, e bico-selvagem-de-papagaio não ajuda em nada).

É planta espetacular, dotada de alto poder de deixar visitantes boquiabertos. No entanto, paradoxalmente, está ainda muito pouco utilizada em paisagismo. Talvez isto se deva à dificuldade de multiplicação desta espécie. Aqui no Sítio foram feitos muitos alporques, várias vezes, e só um vingou. Foi plantado perto da planta matriz, logo na entrada, no Largo da Guarita. É claro que vamos continuar insistindo.

Apesar da vermelhidão toda, as flores são amarelas, tal qual na Mussaenda. O recurso para atrair polinizadores é o de simular uma grande flor com várias pequenas, criando conjuntos entupidos de brácteas rubras que fazem a propaganda para os insetos e a alegria dos adoradores de jardins.




sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Estrela 16 - Solanum cernuum Vell. (ou Solanum castaneum Carvalho)


As bonitas que me desculpem, mas, para ser estrela, beleza não é fundamental.
Apelidada Árvore do Rato Morto, se existe uma flor feia, é esta. Tanto que, certa feita, depois de apresentar a um grupo de amigos a arvoreta de 3,5m de altura – na ocasião vergada ao peso de inúmeras flores minúsculas, dotadas de longos, desproporcionais, pardacentos e hirsutos pecíolos – senti-me quase culpado diante do desencanto geral. Aí, na tentativa de revigorar os ânimos abatidos pela desalentadora visão, não resisti e chutei: – Mas é medicinaaaal!
O efeito foi incrível, todos se mostraram alegremente dispostos a crer nos poderes curativos, porém tive que confessar: – É brincadeira, foi só para animar.
Anos depois, o botânico Harri Lorenzi me revelou que o nome popular do infeliz vegetal era Panacéia, ou seja, remédio para toda enfermidade. – Então eu estava certo! Foi meu primeiro pensamento, mas em seguida, fulminando esta ilusão, me baixou uma grave suspeita: ela não era medicinal coisíssima nenhuma. A crença popular, mais do que ingênua credulidade, mais do que outro me-engana-que-eu-gosto, era uma tentativa de fazer justiça, um ato de caridade. A minha foi uma reação comum, pelo visto o povo também lhe atribui alguma virtude para contrabalançar a escandalosa carência de graça.
Jamais, que eu saiba, foi (ou será) usada em paisagismo, mas em compensação é bem provável que um chazinho feito com ela não mate instantaneamente.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Estrela 15 - Dieffenbachia sp. (Costa Rica)


Logo ao adentrar o Sombral Graziela Barroso, os visitantes geralmente se espantam com o tamanho descomunal de umas plantas, trazidas por Burle Marx das selvas da Costa Rica, que lembram muito as popularmente chamadas “comigo-ninguém-pode”. Mas não sendo da espécie picta, aquela comum e que sabemos ser venenosa, pertencem ao mesmo gênero Dieffenbachia, ao qual o povão atribui poderes de afastar “mau-olhado”. Por isso é que as nossas agigantadas Dieffenbachiae aqui estão apelidadas de “comigo-ninguém-mas-ninguém-mesmo-pode”, fazendo, cum grano salis, corresponder tamanhos e poderes, o que, óbvio, não é sempre verdade.
Sendo um de nossos afazeres mais importantes o back up do acervo vegetal, há algum tempo fizemos outro grupo, com mudas dessa mesma planta, em outro lugar do SRBM, onde vieram a florir agora (fevereiro de 2009).
O gênero Dieffenbachia tem cerca de 140 espécies, 13 da Costa Rica. Se alguém conseguir identificar esta espécie, por favor me avise.